quinta-feira, 20 de maio de 2010

Respeito Nulo

Andava a evitar escrever, porque também não me apetece pensar no assunto.

Ninguém gosta de admitir que é gozado. O que se calhar não é mau registar, até porque tenho uma certa tendência a esquecer, a “fazer de conta” que não é nada.

Há-de chegar o momento, em que é indiferente. Espero eu…

Só não o é, porque é triste perceber que se ajuda, quem realmente não quer.
Quem o que procura é saber que tem essa ajuda, que ela ainda está ali. E quando isso entra na área do meu trabalho, tira-me do sério.
Também é precisamente nessa área que eu tenho mais dificuldade em admitir que fui gozada, enganada, abusava na minha boa vontade. Até porque normalmente quando pedem ajuda ou a insinuam pedir, é porque realmente a querem e precisam.

É descer muito baixo, usar o meu trabalho para isso. Porque é usar mesmo, porque as pessoas não agradecem o esforço das outras (também não precisam de o fazer), mas não podem trata-las mal.

Quando alguém me diz que está mal, eu ofereço a minha ajuda. Seja essa pessoa o ladrão que me roubou ontem, ou a pessoa que mais me faz feliz. Serão ossos do ofício não sei. Não consigo que alguém diga “estou doente” e eu digo “vai ao médico”. Primeiro porque fico numa curiosidade enorme, sobre o que é que significará esse “estar doente”, e depois porque imagino que se me diz isso a mim, será porque procura ajuda de alguma forma.

Infelizmente não é sempre assim. E já vamos na segunda vez do mesmo. Porque também é verdade que quem realmente o está, dá feedback, recusa ou aceita a ajuda, não ignora depois de saber que ajuda está ali. Isso é o respeito nulo.

Porque merecia um “já não é preciso”, que ía saber tão bem como um “obrigado”.

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