sexta-feira, 21 de março de 2008

Olho clínico??

A medicina tornou-me fria, indiferente...

Nem a falta de ar, nem a ascite marcada, nem o diagnostico de IC, me fizeram tremer... fiz uma lista mental de cuidados e terapêuticas... Pensei em cavalos e não em zebras.... Mantive a calma, racional... fria.

Guardei a distancia... até ouvir carcinomatose peritoneal. Aí perdi a esperança, lembrei-me da Dª Augusta, do Sr. da cama 16, da Sra. da cama 22... O que é mau, porque agora quero ser uma pessoa normal, quero ser família, e é mais difícil transmitir um sentimento perdido.

Estar do lado de cá.. e conhecer o lado de lá é péssimo, sobretudo quando sou a única.


Quem desenhou esta vida, realmente é selectivo. Dá umas oportunidades, uns safanões jeitosos... para ver se aprendemos a dar valor. Quais amores perdidos, quais birras de pais e filhos, quais chefes mal educados... que importância é que isso tem? Nada, nenhuma, absolutamente nenhuma... só tropeçar e seguir, e é se queremos, porque senão é dar o lugar, que há quem queira. Vida do caraças... como é que podes ser tão imprevisível.

Não deve haver nada pior do que perder a esperança, deixar de acreditar...

Não quero pensar assim

1 comentário:

Anónimo disse...

Percebo perfeitamente o q sentes... comigo passa-se o mesmo. tou farta de ver miseria...farta de ver dor...é tudo tão injusto... e é nessas alturas que penso q eu às vezes me chateio com coisas pequenas, banais... que devia aproveitar melhor a vida, cada segundo. Também temo, por vezes, ficar fria por defesa... mas não. Não é do meu feitio. Mas prefiro sofrer com a dor dos outros do que me tranformar numa pedra fria. Isso sim, seria triste...
Boa sorte para o teu estágio.
Catarina