Centenas de recém-licenciados em Medicina contestam exame de acesso à especialidade
14.12.2007, Samuel Silva
Candidatos exigem anulação do concurso e repetição da prova
Centenas de recém-licenciados em Medicina estão a contestar as condições de realização do exame de acesso ao internato realizado no final de Novembro. A Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM) fala em relatos de "situações de fraude" ocorridas durante a prova. Em causa estão também erros detectados na formulação das perguntas e repetições de questões do exame do ano anterior.
Vários candidatos ao concurso de acesso às especialidades, que são seriados a partir da prova realizada no mês passado, sentem-se lesados, denunciando um conjunto de "irregularidades" na prova. Desde a passada semana está on-line uma petição em que são descritas algumas destas situações. Até ao final da tarde de ontem, o documento tinha sido assinado por cerca de 330 médicos. Os candidatos afirmam que, três dias antes da prova, circulou um e-mail em que era afirmado que as perguntas relativas às doenças de sangue seriam as mesmas do exame do ano anterior. De facto, 11 das 20 questões sobre hematologia eram idênticas às da prova de 2006. Aliás, uma das questões repetidas tinha sido considerada errada no ano passado. E esta não era a única pergunta com erros, já que a prova excluía respostas correctas e validava opções que continham erros científicos.
Sobre as alegadas "fugas de informação" o Ministério da Saúde afirmou que são suspeitas que "ocorrem anualmente", mas é sempre "difícil apresentar provas que demonstrem tais denúncias". No entanto, segundo o ministério, o autor das perguntas em causa foi o presidente do júri da prova, Nascimento Costa, docente da Faculdade de Medicina de Coimbra, garantindo "o total controlo das mesmas". O PÚBLICO tentou, sem sucesso, contactar Nascimento Costa.
As críticas dos jovens médicos incidem ainda sobre a "degradação das condições de realização da prova". A situação mais grave aconteceu na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, onde 186 pessoas realizaram a prova num anfiteatro com capacidade para 196. Este facto terá facilitado a "partilha de conhecimentos" durante o exame, lê-se no documento que está on-line. O ministério diz não terem sido apresentadas pelos delegados presentes "quaisquer provas da ocorrência de cópias e das referidas consequências para os eventuais lesados".A ANEM emitiu um comunicado em que demonstra um "profundo desagrado com as irregularidades que envolveram a realização da prova". A associação quer ver esclarecida a situação e apuradas responsabilidades. No próximo fim-de-semana, as sete associações de estudantes das faculdades nacionais de Medicina encontram-se em Braga para discutir o assunto.
Na mesma linha vai o discurso do Conselho Nacional do Médico Interno, que considera a situação como "muito grave". "É urgente uma rápida confirmação, sob pena de se colocar em causa todo o concurso", afirmou Rui Guimarães, coordenador do organismo.
O manifesto enviado por vários candidatos à especialidade ao Ministério da Saúde e à Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), responsável pela prova, exige a anulação do exame deste ano.
Os candidatos entendem que "a seriação está contaminada nas suas principais virtudes", lê-se na petição, pedindo a anulação do concurso deste ano. Em contrapartida querem ver realizada uma prova de seriação extraordinária. Em último caso, os médicos esperam que seja permitida a admissão ao concurso do próximo ano, que lhes está vedada. Edson Oliveira, licenciado pela Faculdade de Medicina de Lisboa, foi um dos primeiros subscritores da petição. "A ACSS demonstrou a sua incapacidade organizativa", afirma. E resume a preocupação dos candidatos: "Este exame condiciona os próximos 30 anos da nossa vida." Cerca de um milhar de recém-licenciados concorreram à prova e seriação. 330 médicos tinham assinado a petição on-line até ontem. Candidatos querem ver concurso anulado
14.12.2007, Samuel Silva
Candidatos exigem anulação do concurso e repetição da prova
Centenas de recém-licenciados em Medicina estão a contestar as condições de realização do exame de acesso ao internato realizado no final de Novembro. A Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM) fala em relatos de "situações de fraude" ocorridas durante a prova. Em causa estão também erros detectados na formulação das perguntas e repetições de questões do exame do ano anterior.
Vários candidatos ao concurso de acesso às especialidades, que são seriados a partir da prova realizada no mês passado, sentem-se lesados, denunciando um conjunto de "irregularidades" na prova. Desde a passada semana está on-line uma petição em que são descritas algumas destas situações. Até ao final da tarde de ontem, o documento tinha sido assinado por cerca de 330 médicos. Os candidatos afirmam que, três dias antes da prova, circulou um e-mail em que era afirmado que as perguntas relativas às doenças de sangue seriam as mesmas do exame do ano anterior. De facto, 11 das 20 questões sobre hematologia eram idênticas às da prova de 2006. Aliás, uma das questões repetidas tinha sido considerada errada no ano passado. E esta não era a única pergunta com erros, já que a prova excluía respostas correctas e validava opções que continham erros científicos.
Sobre as alegadas "fugas de informação" o Ministério da Saúde afirmou que são suspeitas que "ocorrem anualmente", mas é sempre "difícil apresentar provas que demonstrem tais denúncias". No entanto, segundo o ministério, o autor das perguntas em causa foi o presidente do júri da prova, Nascimento Costa, docente da Faculdade de Medicina de Coimbra, garantindo "o total controlo das mesmas". O PÚBLICO tentou, sem sucesso, contactar Nascimento Costa.
As críticas dos jovens médicos incidem ainda sobre a "degradação das condições de realização da prova". A situação mais grave aconteceu na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, onde 186 pessoas realizaram a prova num anfiteatro com capacidade para 196. Este facto terá facilitado a "partilha de conhecimentos" durante o exame, lê-se no documento que está on-line. O ministério diz não terem sido apresentadas pelos delegados presentes "quaisquer provas da ocorrência de cópias e das referidas consequências para os eventuais lesados".A ANEM emitiu um comunicado em que demonstra um "profundo desagrado com as irregularidades que envolveram a realização da prova". A associação quer ver esclarecida a situação e apuradas responsabilidades. No próximo fim-de-semana, as sete associações de estudantes das faculdades nacionais de Medicina encontram-se em Braga para discutir o assunto.
Na mesma linha vai o discurso do Conselho Nacional do Médico Interno, que considera a situação como "muito grave". "É urgente uma rápida confirmação, sob pena de se colocar em causa todo o concurso", afirmou Rui Guimarães, coordenador do organismo.
O manifesto enviado por vários candidatos à especialidade ao Ministério da Saúde e à Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), responsável pela prova, exige a anulação do exame deste ano.
Os candidatos entendem que "a seriação está contaminada nas suas principais virtudes", lê-se na petição, pedindo a anulação do concurso deste ano. Em contrapartida querem ver realizada uma prova de seriação extraordinária. Em último caso, os médicos esperam que seja permitida a admissão ao concurso do próximo ano, que lhes está vedada. Edson Oliveira, licenciado pela Faculdade de Medicina de Lisboa, foi um dos primeiros subscritores da petição. "A ACSS demonstrou a sua incapacidade organizativa", afirma. E resume a preocupação dos candidatos: "Este exame condiciona os próximos 30 anos da nossa vida." Cerca de um milhar de recém-licenciados concorreram à prova e seriação. 330 médicos tinham assinado a petição on-line até ontem. Candidatos querem ver concurso anulado
Pessoalmente, acho a anulação um exagero. Nem quero pensar em ter que repetir tudo agora assim de repente e menos quando já sabemos as vagas do ano comum. Mas é nosso dever exigir melhores condições, mais igualdade e transparência. Se não for por nós, pelo menos que não se repita, como tem vindo a acontecer. Se bem que 300 assinaturas, a comparar com os 1000 e tantos que se apresentaram a exame... dá que pensar.
1 comentário:
Dá mesmo que pensar... Pouco ou nada a acrescentar ao que tu disseste. De facto faltou à prova transparência. Tal e qual o cenário que tinhas descrito aqui depois de realizares o exame. E quando muitos pensam o mesmo...
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